Painel da Habitação

A casa em Portugal, em números, em linguagem simples

Fontes dos dadosINE, Banco de Portugal, Eurostat, OCDE, ONU, Banco Mundial, Diário da República
Frequência de atualizaçãoRecolha automática todas as semanas; preços e rendas mudam por trimestre, juros por mês, construção por ano, censos de dez em dez anos
Última recolha30.10.2026, 15h45 (hora de Lisboa)
Página gerada30.10.2026, 15h45 (Lisboa) · 31.10.2026, 00h45 (Díli)
Regra dos factosSó factos, sem política nem ideologia. Cada número diz a fonte; cada pergunta diz se os dados são de recolha automática ou confirmados à mão.

Gaspar do Amaral · © Aprecisa.com · com recurso a IA

  1. Há casas suficientes em Portugal?
  2. Quanto custa comprar uma casa?
  3. Quanto custa arrendar?
  4. Quanto tenho de ganhar para comprar ou arrendar um T2?
  5. Quantas casas se constroem, e chega?
  6. Estávamos pior em 1976?
  7. Porque é que o arrendamento quase desapareceu?
  8. Os juros vão pesar na minha prestação?
  9. Já resolvemos isto antes? Como, e serve hoje?
  10. Quantas leis tem de cumprir quem constrói uma casa?
  11. As regras são iguais em todo o país?
  12. Vou construir: por onde começo?
  13. Portugal está pior do que o resto da Europa?
  14. E face aos países mais ricos do mundo?
  15. Em que ponto do caminho que Portugal fez está o mundo?

Portugal

Há casas suficientes em Portugal? dados de 30.10.2026

1,44

casas por cada família em 2021. No total, há mais casas do que famílias. Mas muitas estão vazias, são segundas casas ou estão onde já ninguém procura casa.

Casas por família, em cada censo

Alojamentos familiares a dividir pelo número de famílias.

1,1719701,1619811,3219911,3820011,4520111,442021

De 1981 a 2011, o país ganhou casas mais depressa do que famílias; desde 2011, o número de casas por família parou de subir. A quantidade total não é o problema; o ritmo recente é.

Casas vazias e famílias sem casa adequada, 2021

Número de alojamentos (Censos 2021); a barra escura são as carências.

Vagos (total)723 215Vagos por outros motivos375 118Vagos à venda ou arrendamento348 097Vagos utilizáveis154 075Carências habitacionais136 800

Só uma parte dos vagos está pronta a habitar. Mesmo assim chegava, no total, para as carências, com uma folga de 17 275 casas. O problema é a geografia: há camas livres no hospital do Alentejo, mas os doentes estão em Lisboa.

Na sua vida: não encontrar casa não significa que o país não tenha casas. Significa que as que estão livres não estão onde trabalha, ou não estão prontas, ou não estão à venda.

Para a famíliaProcurar mais longe pode ser a diferença entre encontrar ou não encontrar casa; o transporte conta tanto como a renda.
Para o autarcaO número que interessa é o do seu concelho: quantos vagos, em que estado, e porque não estão no mercado.
Para o decisorA política nacional de quantidade não resolve um problema de localização; os recursos devem seguir o défice regional.

Quanto custa comprar uma casa? dados de 30.10.2026

2 445 €/m²

é o preço mediano das casas vendidas no país no 2.º trim. 2026, +18,4 % do que um ano antes.

Quanto subiram as casas num ano

Índice de Preços da Habitação, variação face ao mesmo trimestre do ano anterior. O 3.º trimestre de 2025 não foi recolhido.

17,2 %2.º trim. 202518,9 %4.º trim. 202517,8 %1.º trim. 202616,5 %2.º trim. 2026

Cada coluna diz quanto mais cara estava a mesma casa do que um ano antes. O ritmo abrandou pouco e continua a dois dígitos.

Preço por município

Preço mediano dos alojamentos vendidos, €/m².

ZonaPeríodo€/m²Num ano
Portugal1.º trim. 20262 337+19,8 %
Portugal2.º trim. 20262 445+18,4 %
Lisboa (município)1.º trim. 20265 292—
Cascais (município)1.º trim. 20265 000—
Oeiras (município)1.º trim. 20264 511—

Na sua vida: um T2 de 80 m² ao preço mediano do país custa 195 600 €. No município de Lisboa custa 423 360 €.

Para a famíliaNum mercado que sobe a dois dígitos, esperar um ano sai caro; mas comprar acima do que pode pagar sai mais caro.
Para o banco e o economistaPreços a subir muito mais depressa do que os rendimentos aumentam o risco de esforço excessivo.
Para o decisorO preço reflete a falta de casas novas onde há procura; baixar o preço exige produzir nesses sítios.

Quanto custa arrendar? dados de 30.10.2026

10,17 €/m²

por mês é a renda mediana dos contratos novos no 2.º trim. 2026, +10,2 % do que um ano antes.

Renda de contratos novos por região

€/m² por mês; a barra destacada é a mediana do país.

Grande Lisboa15,24Madeira12,78Península de Setúbal11,99Algarve11,56Área Metropolitana do Porto10,83Portugal10,17

As regiões metropolitanas e turísticas lideram; a Grande Lisboa paga cerca de uma vez e meia a mediana do país.

Renda por município

€/m² por mês, contratos novos, 2.º trim. 2026. Contratos novos no país no trimestre: 35 407.

Município€/m²Num ano
Lisboa (município)17,79+5,1 %
Funchal14,49+17,0 %
Guimarães7,87+20,7 %

Na sua vida: o mesmo T2 de 80 m² arrendado à renda mediana custa 814 € por mês.

Para o jovemA renda de um contrato novo é muito mais alta do que a de quem está na mesma casa há anos; comparar com os amigos engana.
Para o senhorioA renda conta, mas a estabilidade do contrato e o imposto também; os três decidem se a casa volta ao mercado.
Para o decisorO arrendamento é o regime de quem está a começar e de quem se muda por trabalho: é a porta de entrada da mobilidade.

Quanto tenho de ganhar para comprar ou arrendar um T2? dados de 30.10.2026

2 121 €/mês

de rendimento líquido do agregado familiar para comprar, ao preço mediano do país, sem gastar mais de 35 % do rendimento na prestação. Para arrendar a mesma casa, são precisos 2 325 €.

Comprar ou arrendar um T2, por zona

Prestação de um crédito a 90 % e 30 anos à taxa média de novos créditos (3,00 %, 2026-08); rendimento necessário para não passar 35 % de esforço. Nas linhas municipais, o preço é do 1.º trimestre de 2026 e a renda do 2.º; em Cascais e Oeiras não se recolheu a renda trimestral.

ZonaPreço dePreço do T2 (€)Prestação (€/mês)Rendimento p/ comprarRenda (€/mês)Rendimento p/ arrendar
Portugal2.º trim. 2026195 6007422 1218142 325
Lisboa (município)1.º trim. 2026423 3601 6064 5901 4234 066
Cascais (município)1.º trim. 2026400 0001 5184 336——
Oeiras (município)1.º trim. 2026360 8801 3693 912——

Como se fez a conta, passo a passo (Portugal)

A área, a parte financiada, o prazo e o limite de esforço são hipóteses do autor; a taxa é a média das novas operações do mês mais recente recolhido.

  1. Preço do T2: 80 m² × 2 445 €/m² = 195 600 €.
  2. O banco empresta 90 % do preço: C = 176 040 €. O resto é a entrada, paga do bolso.
  3. Taxa de juro por mês: i = 3,00 % ÷ 12 = 0,002500.
  4. Número de prestações: n = 30 anos × 12 = 360.
  5. Fator: (1 + i)−n = 0,40703.
  6. Prestação: P = C × i ÷ [1 − (1 + i)−n] = 742 € por mês.
  7. Rendimento necessário: P ÷ 35 % = 2 121 € por mês.

Na sua vida: ao preço mediano do país, pagar o banco custa menos por mês do que pagar a renda. O que trava a compra é juntar a entrada e conseguir o crédito.

Para o jovemA pergunta certa não é «quanto pago por mês?», é «quanto tempo levo a juntar a entrada?».
Para o bancoO limite de esforço protege a família e o banco; fixe-o com margem para uma subida de juros.
Para o decisorSe a barreira é a entrada, a ajuda certa é à entrada, não à prestação.

Quantas casas se constroem, e chega? dados de 30.10.2026

30 425

casas concluídas em 2025. Por cada 100 casas licenciadas, concluíram-se 62,3. Ficaram em fila 18 419.

Licenciadas e concluídas, 2025

Número de fogos; «HF novos» é a construção nova para habitação familiar.

Licenciados — total48 844Licenciados — HF novos42 066Concluídos — total30 425Concluídos — HF novos27 301

As licenças são as encomendas que entram na linha de montagem; as conclusões são as casas que saem. Entram mais do que saem, e a fila cresce.

Casas concluídas e famílias novas, por década

Média por ano; a cor forte são as casas, a suave as famílias novas. De 2022 a 2025 ainda não há censo de famílias.

1981–1991 — casas concluídas49 8781981–1991 — famílias novas22 2961991–2001 — casas concluídas87 7911991–2001 — famílias novas50 3352001–2011 — casas concluídas78 8982001–2011 — famílias novas39 2972011–2021 — casas concluídas15 0002011–2021 — famílias novas10 5372022–2025 — casas concluídas24 117

O máximo foi 125 708 casas em 2001; o mínimo, 7 148 em 2015.

Na sua vida: a casa que vai procurar daqui a três anos é, quase sempre, uma casa licenciada hoje. Se hoje não se constrói, daqui a três anos não há.

Para o engenheiroLicenciar mais não acelera a linha se o estrangulamento está na obra: mão de obra, empresas, materiais.
Para o autarcaConte os processos licenciados no seu concelho que não arrancaram, e pergunte porquê.
Para o decisorA capacidade produtiva perdida entre 2008 e 2015 não volta sozinha; reconstruí-la leva anos.

Estávamos pior em 1976? dados de 30.10.2026

Sim e não

Estávamos muito pior em condições de habitação: falta de água, barracas, casas apertadas. Hoje estamos pior em capacidade de construir e no preço de acesso.

Pior então ou pior hoje?

Cada linha compara o primeiro censo com dados e o valor mais recente.

IndicadorAnoEntãoAnoHojePior
Alojamentos sem água canalizada (%)197053,0 %20012,1 %Então
Alojamentos sem eletricidade (%)197036,2 %20010,5 %Então
Pessoas em barracas e alojamentos não clássicos1981126 000202111 000Então
Alojamentos sobrelotados (%)199123,0 %202112,7 %Então
Casas por família19701,1720211,44Então
Casas concluídas por ano1981–199149 878202530 425Hoje
Subida anual do preço das casas (%)——2.º trim. 202616,5 %Sem série comparável

Porquê chegámos aqui

Cadeia de causas, década a década.

  1. Anos setenta: casas poucas e degradadas, barracas, metade das casas sem água; o congelamento das rendas e a inflação destroem o arrendamento.
  2. 1976–2001: construção em massa com crédito bonificado, promotores-construtores e habitação social; a casa própria passa a ser a regra e a qualidade melhora muito.
  3. 2001–2015: a construção cai do máximo para o mínimo da série; a crise de 2008–2014 faz desaparecer empresas e técnicos públicos que promoviam habitação.
  4. 2015–2025: a procura volta a subir (turismo, compradores estrangeiros, imigração, juros baixos até 2022) sobre uma capacidade de construir que já não existe.

Na sua vida: os seus avós podiam não ter água em casa; os seus filhos podem não conseguir casa perto do trabalho. São duas crises diferentes, com remédios diferentes.

Para o historiadorA crise mudou de natureza: de indignidade e falta para acesso e capacidade produtiva.
Para o engenheiroEm 1976 o país tinha a cadeia de produção que hoje lhe falta.
Para o decisorCopiar as soluções de 1976 não basta: o problema de hoje é outro.

Porque é que o arrendamento quase desapareceu? dados de 30.10.2026

95,9 %

do valor real de uma renda congelada em 1974 perdeu-se até 1993, porque os preços ficaram 24,5 vezes mais altos (subida acumulada de 2 348 %).

Inflação de cada ano, 1974–1993

Preços no consumidor (%), Banco Mundial.

19741979198419891993

Multiplicar vinte anos de inflação alta dá a perda total: o senhorio passou a receber, em poder de compra, menos de um vigésimo.

Onde vivem as famílias: casa própria ou arrendada

Percentagem das famílias; sobrelotação em percentagem dos alojamentos.

CensoCasa própriaArrendadaSobrelotação
197055,7 %44,3 %—
198157,0 %39,0 %—
199164,0 %28,0 %23,0 %
200175,7 %20,8 %16,0 %
201173,0 %20,0 %11,0 %
202170,0 %22,0 %12,7 %

Em 1970 quase metade das famílias arrendava; em 2001, uma em cada cinco. O país trocou o arrendamento pelo crédito à compra.

Na sua vida: quando uma regra impede a renda de acompanhar os preços, quem tem casa deixa de a arrendar. Os efeitos duram gerações.

Para o juristaUma regra estável e previsível vale mais para o senhorio do que um benefício fiscal temporário.
Para o economistaInflação acumulada e não a anual: é o produto dos anos, não a soma.
Para o decisorRecuperar o arrendamento leva décadas, porque a confiança perdida também se acumula.

Os juros vão pesar na minha prestação? dados de 30.10.2026

3,00 %

é a taxa de juro média dos créditos à habitação novos no mês mais recente recolhido (2026-08), o valor mais alto desde abril de 2025.

Taxa média dos créditos novos

Taxa anual (%), Banco de Portugal; inclui renegociações.

MêsTaxa
2025-092,84 %
2026-072,96 %
2026-083,00 %

Na sua vida: com taxa variável, cada subida da Euribor chega à prestação na revisão seguinte. Com taxa fixa ou mista, chega mais tarde, mas já está no preço do crédito.

Para a famíliaSimule a prestação com mais um ponto de juro antes de assinar.
Para o bancoA taxa média esconde o intervalo: o que conta é a taxa de cada cliente.
Para o decisorOs juros não são decididos em Portugal; a política nacional atua no preço e na oferta.

Já resolvemos isto antes? Como, e serve hoje? dados de 30.10.2026

91,3 %

menos pessoas a viver em barracas entre 1981 e 2021. Portugal já resolveu uma crise de habitação. As soluções usadas são um ativo tecnológico, e não apenas memória (método do Grão de 1128).

Arquivo de soluções

Cada solução com o mesmo critério: que problema atacou, que elo da cadeia desbloqueou, o que se mediu e quantas fontes o confirmam. Uma solução só fica confirmada com três fontes.

SoluçãoAnoProblemaElo da cadeiaResultado medidoFontesEstado
Fundo de Fomento da Habitação1969Promoção pública de habitaçãoPromoção e financiamentoSem resultado medido nas fontes recolhidas1 de 3Extinto
SAAL — Serviço de Apoio Ambulatório Local1974Famílias mal alojadas em bairros degradadosOrganização dos moradores e projetoSem resultado medido nas fontes recolhidas2 de 3Extinto em 1976
Direito à habitação na Constituição (art. 65.º)1976Fundamento do direito à habitaçãoEnquadramentoNão aplicável1 de 3Em vigor
Crédito à habitação bonificado—Acesso à compra depois do fim do arrendamentoFinanciamento das famíliasPropriedade sobe de 55,7 % (1970) para 75,7 % (2001)1 de 3Datas por confirmar
PER — Programa Especial de Realojamento1993Barracas nas áreas metropolitanas de Lisboa e do PortoProdução pública e realojamentoMais de 34 000 fogos públicos, mais de 130 000 pessoas realojadas, 28 municípios2 de 3Revogado em 2018
PROHABITA2004Situações de grave carência habitacionalFinanciamento municipalSem resultado medido nas fontes recolhidas1 de 3Revogado em 2018
1.º Direito2018Famílias em habitação indignaProdução pública com municípiosMeta PRR revista para 27 500 casas até 31.08.20262 de 3Em vigor
Programa de Arrendamento Acessível2019Rendas acima do rendimentoIncentivo fiscal ao senhorioSem resultado medido nas fontes recolhidas1 de 3Em vigor

Na sua vida: muitos bairros onde hoje vivem famílias nasceram de programas que acabaram com barracas. O país sabe fazer; precisa de voltar a medir o que funciona.

Para o historiadorCada programa responde ao problema do seu tempo; leia-o com os números da época.
Para o engenheiroO que se reutiliza é o mecanismo (quem promove, quem financia, quem constrói), não o desenho das casas.
Para o decisorAntes de criar um programa novo, pergunte qual destes já resolveu um problema igual, e o que mediu.

Quantas leis tem de cumprir quem constrói uma casa? dados de 30.10.2026

21

diplomas e grupos de regras numa lista mínima, por camadas. Não há contagem oficial completa; o painel começa por esta lista e vai completá-la sobre um projeto-tipo.

As camadas de regras de um projeto de habitação

Lista mínima, não exaustiva. O RGEU de 1951 foi revogado a 1 de junho de 2026 e o Código da Construção que o substituirá está em preparação.

CamadaDiplomaMatériaÂmbito
EuropeiaRegulamento dos Produtos de Construção (UE) n.º 305/2011Produtos e marcação CEIgual em todo o país
EuropeiaEurocódigosCálculo estruturalIgual em todo o país
ProcedimentoRJUE — DL 555/99, alterado pelo DL 10/2024 e pelo DL 108/2026Licenciamento e comunicação préviaIgual em todo o país
ProcedimentoPortaria n.º 320/2026/1Modelos, elementos instrutórios, termos de responsabilidadeIgual em todo o país
Solo e territórioLei de Bases dos Solos — Lei 31/2014Bases do solo e do urbanismoIgual em todo o país
Solo e territórioRJIGT — DL 80/2015Planos territoriaisIgual em todo o país
Solo e territórioDL 117/2024Reclassificação de solo rústicoIgual em todo o país
Solo e territórioRAN — DL 73/2009Reserva Agrícola NacionalRegime nacional, delimitação municipal
Solo e territórioREN — DL 166/2008Reserva Ecológica NacionalRegime nacional, delimitação municipal
EspecialidadesDL 220/2008Segurança contra incêndioIgual em todo o país
EspecialidadesDL 163/2006AcessibilidadesIgual em todo o país
EspecialidadesDL 101-D/2020Desempenho energéticoIgual em todo o país
EspecialidadesDL 129/2002AcústicaIgual em todo o país
EspecialidadesDL 123/2009Telecomunicações (ITED e ITUR)Igual em todo o país
EspecialidadesDecreto Regulamentar 23/95Águas e esgotosIgual em todo o país
EspecialidadesDL 273/2003Segurança no estaleiroIgual em todo o país
Quem pode fazerLei 31/2009Qualificação dos técnicosIgual em todo o país
Quem pode fazerLei 41/2015Acesso à atividade de construçãoIgual em todo o país
MunicípioPlano Diretor Municipal, planos de urbanização e de pormenorO que se pode construir em cada terrenoDiferente em cada um dos 308 municípios
MunicípioRegulamento municipal de urbanização e edificaçãoRegras locais de aplicaçãoDiferente em cada um dos 308 municípios
MunicípioRegulamento de taxas e cedênciasQuanto custa licenciarDiferente em cada um dos 308 municípios

Na sua vida: quem constrói não precisa de conhecer todas as leis; precisa de técnicos habilitados que as conheçam e assinem por elas.

Para o engenheiroCada especialidade tem o seu diploma; o termo de responsabilidade é a garantia de que foi cumprido.
Para o juristaA camada que muda mais depressa é o procedimento: várias alterações ao RJUE entre 2024 e 2026.
Para o decisorContar as regras é o primeiro passo para as simplificar sem perder a verificação.

As regras são iguais em todo o país? dados de 30.10.2026

16 iguais · 3 diferentes

Na lista mínima, a maior parte das regras é nacional. O que muda de câmara para câmara é o que se pode construir em cada terreno, quanto custa licenciar e algumas regras locais. O distrito não tem competências de urbanismo; quem decide é a câmara.

O que é igual e o que muda

Desde o Simplex de 2024, os regulamentos municipais não podem conter regras de procedimento nem de instrução dos processos, sob pena de nulidade.

  1. Igual em todo o país: o procedimento (licença ou comunicação prévia), os modelos de requerimento, os elementos a entregar, os prazos de decisão e as regras técnicas das especialidades.
  2. Regime nacional, delimitação local: a Reserva Agrícola e a Reserva Ecológica.
  3. Diferente em cada câmara: o Plano Diretor Municipal e os planos locais, os regulamentos municipais e as taxas.

Na sua vida: é como uma rede de telecomunicações. O protocolo é igual para todos; cada central tem a sua configuração. Basta saber ler a configuração da câmara onde vai construir.

Para o técnicoA diferença entre câmaras está no plano e nas taxas, não no procedimento.
Para o autarcaRegras locais publicadas e claras são uma vantagem para atrair quem constrói.

Vou construir: por onde começo?

Quatro passos

por esta ordem, do terreno ao processo.

Quatro passos

Ligações oficiais.

  1. Ver o que o terreno permite: o Plano Diretor Municipal e as plantas do seu concelho estão no Sistema Nacional de Informação Geográfica (SNIG).
  2. Ler as regras e as taxas da câmara: os regulamentos municipais publicados no Diário da República.
  3. Pedir a informação prévia qualificada: se for favorável, vincula a câmara e dispensa a licença ou a comunicação prévia (RJUE, artigos 6.º e 17.º). É o passo que mais poupa tempo e risco.
  4. Entregar o processo com os elementos da Portaria n.º 320/2026/1, através de técnicos habilitados que assinam os termos de responsabilidade.

Na sua vida: antes de comprar um terreno, peça a informação prévia; é a forma de saber o que lá pode construir.

Para o técnicoA informação prévia qualificada transfere o risco de interpretação para a câmara, por escrito.
Para o autarcaPrazos cumpridos e regras publicadas são a forma mais barata de atrair construção.

Europa

Portugal está pior do que o resto da Europa? ao vivo

+16,5 %

foi a subida do preço das casas em Portugal num ano (2.º trim. 2026), a 1.ª maior dos países da União Europeia com valor publicado. A média da União foi +4,7 %.

Subida do preço das casas num ano, por país

Variação homóloga do índice de preços (%), 2.º trim. 2026, Eurostat. Portugal a cor de telha, Espanha a azul, médias a cinzento.

Portugal+16,5 %Bulgária+15,5 %Lituânia+14,3 %Eslováquia+13,6 %Croácia+12,7 %Espanha+12,1 %Roménia+12,1 %Letónia+11,4 %Hungria+10,2 %Dinamarca+9,4 %Eslovénia+9,1 %Chéquia+8,6 %Chipre+7,9 %Malta+6,9 %Polónia+6,3 %Irlanda+6,0 %Estónia+5,8 %Áustria+5,1 %Suécia+4,8 %União Europeia+4,7 %Países Baixos+4,3 %Itália+4,0 %Zona euro+3,8 %Bélgica+2,1 %Alemanha+0,6 %França−0,8 %Luxemburgo−2,2 %Finlândia−2,7 %

Casas apertadas e esforço excessivo, 2024

Sobrelotação: % das pessoas. Sobrecarga: % das pessoas que gastam mais de 40 % do rendimento com a casa. Valores publicados nas fontes recolhidas.

PaísSobrelotaçãoSobrecarga
União Europeia16,9 %8,2 %
Portugal11,2 %6,9 %
Roménia40,7 %—
Letónia39,3 %—
Bulgária33,8 %—
Polónia33,7 %—
Croácia31,7 %3,7 %
Países Baixos4,6 %—
Malta4,4 %—
Chipre2,4 %2,4 %
Grécia—28,9 %
Dinamarca—14,6 %
Alemanha—12,0 %
Suécia—10,6 %
Chéquia—9,2 %
Eslovénia—3,8 %

Em condições de habitação, Portugal está melhor do que a média europeia. O seu problema é o ritmo do preço, não a qualidade da casa.

Portugal e Espanha: casas que faltam

Estimativas dos bancos centrais para a última década.

PaísCasas em faltaFonte
Portugal300 000Banco de Portugal
Espanha700 000Banco de Espanha

A Península tem o mesmo problema, à escala de cada país.

Na sua vida: viver em Portugal não é mais apertado do que na Europa; o que sobe mais é o preço.

Para o economistaA Península é um caso comum: procura externa e construção abaixo da formação de famílias.
Para o decisorComparar com quem tem o mesmo problema (Espanha) ensina mais do que comparar com quem não o tem.

Mundo

E face aos países mais ricos do mundo? dados de 30.10.2026

+46 pontos

subiu o preço real das casas em Portugal entre 2019 e 2024, já descontada a inflação. Na OCDE, só a Turquia subiu mais.

Preço real das casas, variação 2019–2024

Pontos do índice de preços reais, OCDE; países com valor publicado na fonte recolhida.

Turquia+86Portugal+46Islândia+41Estados Unidos+38Alemanha−6Suécia−7

Entre os países mais ricos, Portugal teve uma das maiores subidas reais; a Alemanha e a Suécia desceram.

Na sua vida: o preço real mede o esforço, não só o número na etiqueta; subiu muito mais do que a inflação.

Para o economistaO preço real desconta a inflação: mede o esforço, não só o número na etiqueta.
Para o decisorUma subida desta dimensão num país de rendimentos médios é um sinal de alarme estrutural.

Em que ponto do caminho que Portugal fez está o mundo? dados de 30.10.2026

1,13 mil milhões

pessoas vivem hoje em bairros de barracas ou assentamentos informais. Se nada mudar, serão 1,20 mil milhões em 2030.

O caminho de Portugal como régua

Fonte mundial: Nações Unidas, relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2026, indicador 11.1.1.

Portugal tinha 126 000 pessoas em barracas e alojamentos não clássicos em 1981, e 11 000 em 2021. Fê-lo em quarenta anos, com programas medidos. Esse percurso é a régua: cada país pode ver em que ano do caminho português está, e que solução portuguesa usou o país nesse ponto.

Na sua vida: o que Portugal aprendeu a fazer nos seus bairros é hoje conhecimento útil para mil milhões de pessoas.

Para o diplomataA experiência portuguesa é exportável, sobretudo para países de língua portuguesa.
Para o engenheiroO que se exporta é o método: medir, programar, construir e voltar a medir.